terça-feira, 25 de novembro de 2014

Black Friday da pra confiar aqui no brasil?


Mas Nunes não está certo de que equipará a cozinha e a sala pagando menos, como pretende. "Estou desconfiado, porque não tive nenhuma experiência com outras edições. Como dizem que é uma farsa, preciso ver pra crer", diz.
"Vou acabar comprando de qualquer jeito. Se os produtos não estiverem mais baratos, o único prejuízo será ter atrasado minhas compras em 15 dias. A não ser que fiquem mais caros, o que seria absurdo. Mas achei que valia a pena correr o risco."
Muitos consumidores estão na mesma situação. A O administrador de empresas Wilden Nunes Junior, de 32 anos, mudou de casa há duas semanas, mas ainda não tem um eletrodoméstico sequer. Preferiu esperar a chamada Black Friday, o dia de promoções especiais importado pelo comércio brasileiro dos Estados Unidos há quatro anos., o dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, é tradicionalmente um dia de descontos no varejo americano.
O nome Black Friday, que em inglês significa literalmente "Sexta-Feira Negra", faz mais sentido traduzido para o português como "Sexta-Feira Azul", pois o feriado (nos EUA) denota o momento em que as lojas aproveitam para sair do vermelho e passar a registrar lucro.
No Brasil, uma pesquisa do site de comparação de preços Zoom com 10 mil pessoas mostrou que 99% dos entrevistados pretendem ir às compras no próximo dia 28, mas 41% não acreditam que encontrarão descontos reais.
A desconfiança vem da própria experiência do brasileiro com a Black Friday. Tornaram-se comuns reclamações por promoções enganosas e problemas técnicos dos sites participantes.
Versão brasileira
Nos últimos anos, a Black Friday foi adotada pelo varejo em outros países, como Reino Unido, Austrália, México, Romênia, Costa Rica, Alemanha, Áustria e Suiça, para marcar o início da temporada de compras de Natal.
No Brasil, as promoções foram realizadas pela primeira vez em 2010, ainda de forma tímida, movimentando R$ 3 milhões em vendas, segundo levantamento da consultoria ClearSale, e cresceram exponencialmente desde então.
No ano passado, o volume movimentado pelos produtos vendidos saltou para R$ 424 milhões - quase o dobro do registrado em 2012, quando o montante já havia sido 117% superior ao de 2011.
Junto com o aumento das vendas, também se multiplicaram os problemas. O site Reclame Aqui recebeu no ano passado 8,5 mil reclamações por causa da Black Friday, 6,2% a mais do que em 2012.
Do total, 27% eram relativas à maquiagem de preços, nome dado à prática de elevar o valor de um produto poucos dias antes da data da promoção para oferecer então um "desconto" em que o preço cobrado é igual ou até mesmo superior ao valor não-promocional.
Em 2013, uma pesquisa do Programa de Administração de Varejo, um centro de estudos em consumo, e da Íconna, empresa de monitoramento de comércio eletrônico, mostrou que o número de produtos que ficaram mais caros na Black Friday foi maior do que o dobro daqueles que receberam descontos.
Após o fim do evento, 22,6% das mercadorias oferecidas com "ofertas" tiveram seus preços reduzidos.
Evite ciladas na Black Friday
Pesquise preços com antecedência e acompanhe sua evolução para saber se o produto desejado está de fato mais barato no dia da promoção;
Se não tiver feito esse acompanhamento, é possível pesquisar o histórico de preços de um produto em determinada loja por meio dos sites Busca Descontos, Zoom, Shopping UOL e Buscapé;
Tenha em mente que muitos dos produtos do site não estarão em oferta. Aqueles com preços promocionais são anunciados pelas lojas;Busque pelo selo "Black Friday Legal", criado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Isso sinaliza que a loja se comprometeu à cumprir um código de ética que proíbe a maquiagem de preços.
Uma prática comum é a criação de lojas virtuais falsas, em que o consumidor compra o produto e paga por ele por meio de boleto bancário ou depósito em conta, mas nunca o recebe.
O Procon-SP mantém uma lista com 450 sites a serem evitados por consumidores por terem sido alvo de reclamação e não responderam à notificação, ou seus responsáveis não foram encontrados;Se tiver algum problema, documente o processo de compra e a falha - fotografando ou fazendo uma cópia da página do site, por exemplo - para que depois possa receber assistência de entidades de defesa do consumidor.

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