quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Otimismo pós-Copom derruba dólar e eleva ganho na bolsa

Dólar opera em queda de 3% e vai para R$ 2,39; Ibovespa opera em alta apoiado por ajuste do mercado financeiro que reage bem ao resultado das eleições e elevação da taxa de juros



Reuters
Bovespa

O preço do dólar recua fortemente nesta quinta-feira (30), chegando a cair 3% e bater no patamar de R$ 2,39, com investidores animados pela surpreendentealta da Selic, que alimentou expectativas de fluxo positivo ao Brasil e de que a condução da política econômica pode tomar rumo mais favorável aos olhos do mercado.
Por volta das 14h20, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 2,31%, apoiado pela alta de empresas como Petrobras e Bradesco, que reportou alta de 26,3% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2013.
A política econômica do governo de Dilma Rousseff, reeleita no domingo, recebeu fortes críticas por causar inflação elevada e baixo crescimento, em meio a uma política fiscal pouco transparente. Agora
o mercado confronta o fato de que o pessimisto espalhado não era tão palpável como queriam fazer crer analistas.
Às 12h32, a moeda norte-americana caía 2,93%, a R$ 2,3967 na venda, após chegar a R$ 2,3932 na mínima da sessão, com queda de 3,05%. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de US$ 500 milhões.
"O aumento dos juros dá uma animada no mercado por causa da expectativa de fluxo, mas principalmente porque é um indício de que o governo está mais preocupado com a inflação", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.
Três dias após a reeleição de Dilma, o BC decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 11,25%, alegando aumento dos riscos à inflação. A decisão pegou o mercado no contrapé, em meio a amplas expectativas de que a Selic só voltaria a subir no ano que vem, num cenário de inflação elevada e atividade fraca.
O mercado aguardará mais pistas sobre como será a política fiscal nos próximos quatro anos para confirmar suas apostas sobre a política econômica. Também continuará no radar a nomeação do próximo ministro da Fazenda.
"É um ótimo primeiro passo e parece que o mercado está bem feliz, mas ainda há um caminho longo à frente", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.
A expectativa de maior entrada de recursos estrangeiros no Brasil também ajudava na baixa no dólar nesta sessão, com maior potencial de investimentos externos vindo para o Brasil em busca de mais rendimentos com a Selic maior. No mercado de juros futuros, a curva de DI mostrava apostas de maior aperto monetário agora.
Pelo terceiro dia seguido, o movimento do câmbio era turbinado também por fatores técnicos, com muitos investidores desfazendo apostas na alta do dólar que haviam sido montadas antes do segundo turno das eleições. Muitos analistas afirmam que a vitória de Dilma já havia sido precificada.
"A posição técnica favorece esse movimento de queda. Todo mundo estava comprado [em dólar] e quando há quedas fortes como nesses últimos dias, essas posições acabam sendo desmontadas", disse o operador de um importante banco internacional.
A perspectiva de que o presidente do BC, Alexandre Tombini, continue em seu cargo e estenda o programa de intervenções diárias no câmbio em 2015 também tem contribuído para a queda do dólar ante o real nos últimos dias

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